Temos questões no Brasil que beiram o ridículo e, no entanto, são coisas corriqueiras no dia-a-dia da nação e aceitas pelo povo como normais.
Por que o Brasil não muda! Porque o Brasil permanece como uma pedra atolada na areia de uma praia tropical, olhando ao longe uma visão paradisíaca do que poderia ser se fosse um país desenvolvido!!
O Brasil permanece com grandes desigualdades sociais, a pobreza do povo é ainda grande e pouca melhoria no que se refere à realidade do dia-a-dia das cidades com seu caos urbano no trânsito, nas filas dos hospitais, na violência das favelas, assassinatos, e muita submissão do cidadão comum a um poder opressor invisível
Com o Presidente Lula é inegável que houve mudanças. A principal delas é que ele foi eleito, duas vezes e está no poder. Só esse fato já é uma mudança, pois um homem comum do povo, muito inteligente e politicamente preparado estar numa posição muito perto de chegar perto do que está escondido até da própria presidência da república e que é a verdadeira força que comanda o país: o núcleo do poder econômico. Depois da eleição do presidente Lula, ficou público a todos de que quem manda no país na realidade máxima dos fatos não é o presidente da república.
Em última análise seria o povo, que pela via da democracia, mandaria no país. Isso aconteceu! O povo colocou no poder o seu representante máximo: um trabalhador. A realidade de opressão continuou a mesma. Pode-se argumentar que: Ora! Ora! Meu caro! As mudanças estão aí. O governo está trabalhando! Temos bilhões em caixa para realizarmos as mudanças... e blá, blá, blá.
Se esta é a realidade, então por que o estado caótico do Brasil da pobreza, da violência, da corrupção, da concentração de renda, da impunidade continua a nos comandar, mesmo contra a vontade do Presidente! A resposta é simples: porque quem manda no país é quem controla os mercados, quem controla o fluxo dos recursos e quem controla as máfias, os lobbys e o pensamento dos líderes sejam eles senadores, deputados, banqueiros, empresários, latifundiários e até a cúpula da Igreja.
Não existe interesse real de distribuir a riqueza, invertendo os valores da pirâmide social. Pensar em pobre, atualmente, é coisa da Igreja e tem um fundo histórico muito significativo:
Jesus, de própria boca, ordenou a Pedro que fundasse sua Igreja, porém pelo contrário pediu que fosse construído templo, capela ou o que fosse. Sua natureza era a do compartilhar o conhecimento, publicamente, em locais abertos aos ouvidos de todos. Disse até que se qualquer um quisesse estar com ele que fosse para a intimidade do seu quarto e falasse-lhe com o coração que lá ele estaria. Porém a Igreja Católica para que pudesse ser aceita pelo verdadeiro poder vigente, que era o poder econômico, submeteu-se às regras desse poder e modelou-se, por ele, criando uma estrutura tal de inserção nesse poder que hoje é refletido em rifas de automóveis, prêmios em dinheiro por R$ 10,00 para os festejos do santo local em jornal publicado às expensas da administração da Igreja.
Um modelo de ação evangelizadora, gigantescamente, distante da maneira do próprio Jesus, sentido maior da Igreja moderna, que agia com a força do seu discurso e o amor do espírito santo. O fato é que o amor de Jesus, mesmo sendo à força do próprio Deus, não era o poder vigente e também teve que se submeter aos verdadeiros donos do mundo, não fosse assim Jesus, com seu amor junto, não teria sido morto de maneira hedionda como foi. E pior, mais de 2.000 anos depois esse mesmo amor ainda não consegue estabelecer-se como realidade.
A igreja modelada compartilhava o poder do mundo e, durante muito tempo, foi confundida com esse poder e, por esse motivo, agia por sobre o povo com a força do castiço e com o poder da autoridade junto a Deus.
Desta forma, negociava privilégios no paraíso em troca de propriedades na terra, tornando-se um dos maiores latifundiários do Planeta. Compartilhando os ambientes da aristocracia, guerreava e dominava povos e países com a justificativa do desejo de Deus, evidentemente, interpretado pelos interesses da cúpula do poder da época. A reprimenda de Aarão, irmão de Moisés sobre os ídolos de barro foi esquecida e a Igreja não só os expôs nas edificações como manteve a dor vergonhosa da cruz como símbolo de adoração. Um sentimento sadomasoquista diante de um homem que, enquanto Deus deu-nos muitos outros motivos de adoração, do que a cruz.
Já submetida à máscara da hipocrisia, a Igreja Católica foi afrontada em seu poder e colocada em questionamento, surgindo os insatisfeitos que, sob protesto de justiça, racharam com a cúpula do poder e criaram uma dissidência de protestantes conhecida, popularmente no Brasil, através das igrejas evangélicas, que ao invés dos ídolos, buscam na marca Jesus seu centro de atração e adoração; mas que também não conseguem manter-se livres dos interesses dos mercados e da submissão ao poder econômico, ao poder do dinheiro, seja ele na forma do dízimo, dos templos gigantescos ou da participação nas corporações.
Lá nos tempos de Pedro, quando a igreja foi fundada, seu poder foi, inicialmente, aceito como poder de Deus. Ao longo do tempo, esse poder foi confundido com o poder do mundo material na intensa inserção do clero em meio à nobreza e na concentração de terras. Porém, com o avanço da tecnologia, o domínio da informação e do tempo de decisão pelos grupos, além do entendimento da força do agrupamento e o uso desses elementos citados, por quem domina, por sobre outros grupos, culturas, países ou o próprio cidadão sem a mesma tecnologia; deu aos dominadores o entendimento real de quem manda.
A ciência evoluiu, as técnicas ficaram mais próximas do dinheiro e conhecimentos sofisticados da astrologia, da metafísica, das ciências ocultas e dos avanços tecnológicos ficaram susceptíveis ao preço de mercado e usados em benefício da dominação. Informação privilegiada, segredos antigos, descobertas científicas usadas não em benefício da vida humana, mas para perpetuar poder.
Com tudo isso, os ricos dominadores deixaram de olhar a Igreja como poder máximo a não ser pelos aspectos políticos, mas mesmo nesses aspectos é à força do homem que se faz presente, pois a política de Deus é só uma: amor!
Deixada de lado pelos ricos, a igreja moderna voltou-se para o pobre, infelizmente, não para fazer-lhe justiça como anjo de Deus, mas para aliviar suas dores superficiais como o soldado romano que dá goles de vinagre a Jesus na cruz.
Um tipo de comportamento sadomasoquista que assustou-nos durante a história humana brasileira e pode ser alegorizado na participação do clero na procissão de enforcamento de Tiradentes. A Igreja submissa ao poder local tem garantido espaço de destaque na linha de frente da procissão num ritual macabro de assassinato hediondo de um herói brasileiro.
Jesus falava às multidões sem microfones, sem auditórios e sem retroprojetor, descrevendo sistemas complexos de dominação de mercados, culturas ou povos. Jesus dizia palavras simples que mesmo muitas só queriam dizer a mesma coisa: amor.
O amor que se assusta com o comportamento sadomasoquista submisso ao poder econômico das igrejas ao longo da história. Amor que não entende como pode um governante ou mesmo um cidadão deixar uma mulher numa calçada de rua suja de fezes e urina envolvida por trapos e ainda querer justificar-se, usando discursos complexos e sistemas confusos de programas e leis. Amor que não aceita o doentio acúmulo da matéria na forma de papel ou de simples números digitais em bolsas de valores em nome de um homem privilegiado ou de seu grupo de interesses, enquanto esse acúmulo desnecessário provoca a pobreza e a dor de milhares de pessoas, já que todas elas, inclusive o nobre proprietário, irão morrer apodrecidos como matéria inútil sem fazer uso de uma única moeda como impedimento dessa realidade. Amor que pede a coisa simples: "distribua a matéria para aliviar as dores de seus irmãos, seja generoso, seja alegre e feliz com o meu amor e receba a riqueza desse sentimento!"
Enfim, amor que fala da possibilidade de fazermos o paraíso ser realizado no aqui e agora e não depois da morte. Amor que fala da possibilidade de, distribuindo os recursos entre nós brasileiros, termos condições de diminuir a violência urbana, a ignorância do povo, melhorar a qualidade de vida. Amor que fala de mudança de comportamento mental e de sentimentos no coração.
Amor que fala de poder. Poder que fala de amor. O poder que Jesus falava e que, mesmo dois mil anos depois, ainda não conseguimos ouvir.
Enquanto o presidente fala ao povo das suas dificuldades de governar e apresenta possibilidades de solução, quem domina e não tem interesse de compartilhar o seu poder, nem com o presidente, nem com o povo; diverte-se e cria obstáculos para que o presidente seja só mais um falante, que terminado seu governo terá muito que falar, justificando-se sobre as forças ocultas que o impediram de governar.
O impressionante é que tudo isto está acontecendo agora e o povo brasileiro que sempre foi dedicado ao personalismo, esperando que rostos famosos da televisão venham em seu socorro para fazer-lhe justiça, está vendo os famosos de gravata sendo escandalizados por amantes, propinas e desvios de caráter. O povo precisa acordar e fazer-se presente nesse momento importante da história do Brasil, deixando de ser hienas alegres em meio a leões vorazes.
O povo brasileiro assumiu a posição desrespeitosa de ser um joão bobo que pende de um lado para o outro de acordo com a opinião dos telejornais de domingo e do modismo do momento.
Se agora o assunto é falar da propina para pagar a pensão alimentícia da moça pelada da revista que tem um filho do senador, todos vão falar no assunto em tom de gozação como se a piada fosse de português, quando na verdade a piada é a própria tragédia do povo brasileiro alienado a esses fatos, que se desenrolam, ao longo dos anos, debaixo da barba de todos, todos os dias, exatamente por que ninguém se interessa de enfrentá-los antes de se tornarem uma piada de conversa de bar; mas quando ainda são a trágica realidade que rouba-nos todos os dias o direito meu e seu de ter um país de igualdade de oportunidades e distribuição de riqueza.
Assusta-me a possibilidade de o presidente devolver o país aos dominadores sem ter feito o mínimo pela base da pirâmide social brasileira, deixando-nos como mendigos de pires na mão. Simbolicamente, é o mesmo que o escravo auforiado, com a possibilidade de libertar todos os escravos remanescentes, devolver o chicote para a mão do feitor, porque não sabia abrir a fechadura do cadeado nas correntes.
Pois eu digo, a chave é uma só: "Invista na base da pirâmide. Dê o dinheiro aos pobres como disse Jesus. Isso fará o país crescer e ser respeitado no exterior. Acabe com a pobreza, não matando o pobre de fome ou matando sua mente dentro de um sistema opressor; mas sim, tornando-o cidadão brasileiro, como diz a Constituição Federal!"
O povo brasileiro é desrespeitado pela classe dominante acumuladora de renda, é desrespeitado pelos líderes políticos e é, simbolicamente, amordaçado de expressar essa realidade, pois a vergonha e descrédito é tão grande que impede qualquer que seja a atitude racional de libertação.
Nossas famílias são estupradas, simbolicamente, em nossa dignidade e assumimos uma postura hipócrita refletida pelo comportamento dos nossos homens de destaque, que pegos com a mão no bolso público, recolhendo pequenas migalhas em privilégios, envergonham-nos diante do mundo. Enquanto isso, nossas filhas são verdadeiramente estupradas nas esquinas das ruas de rotatividade sexual, diante da pobreza de oportunidades e falta de emprego.
O homem simples, desrespeitado pelos homens ricos e destacados, devolve, esquizofrenicamente, seu dissabor em atitudes violentas contra seu semelhante pobre, tornando a sociedade brasileira uma arena de leões e hienas roendo a carne do próprio pé.
Talvez, seja o momento do homem comum encontrar forças interiores para ajudar o presidente a transformar o país, não permitindo ser subjugado por ídolos famosos, políticos famosos, homens famosos, ricos famosos ou poderosos famosos, ou por poderes ocultos e fazê-lo pelo seu próprio bem e de seu semelhante.
O homem comum deve deixar de parecer uma pedra atolada na areia da praia e erguer-se como homem e mulher brasileiros criadores, dignos e poderosos e usar essa pedra para construir o país que queremos e precisamos ter, com distribuição das oportunidades, da riqueza, das terras e dos direitos, equilibradamente, e em harmonia. Senão, quem poderá encostar a cabeça, pacificamente, no travesseiro para dormir!!
Ora, senhores e senhoras, pensem a respeito!


